O dia 19 de julho de 2026 ficou marcado por uma passagem rápida pela Rodovia Transpantaneira – MT 060 no Estado do Mato Grosso. Para tanto, saímos de Campo Grande-MS. E, vale aqui ressaltar que a nossa viagem tinha outros destinos também, como Cuiabá e Chapada dos Guimarães. Mas, aqui vamos tratar sobre a estrada de chão. Antes de qualquer coisa, permito-me esclarecer que existem algumas diferentes rodovias pelo Pantanal Sul em Mato Grosso do Sul e Pantanal Norte em Mato Grosso. Duas dessas rodovias são emblemáticas. Não se pode confundi-las na hora de realizar pesquisas que envolvam o trajeto e as hospedagens. A primeira citada denomina-se Estrada Parque do Pantanal que fica na região do Passo do Lontra, Curva do Leque e Porto da Manga. A seguinte, escolhida para nosso passeio nessas férias de julho, também é uma estrada parque, mas identificada como Transpantaneira que começa na cidade de Poconé e termina na localidade de Porto Jofre, no estado mato-grossense.

Imagem: Pedro Henrique Corrêa

Para visitar esta estrada em um ‘bate e volta’ com o objetivo de economizar gastos escolhemos sair de Cuiabá por volta de 3h30 da madrugada. Aparentemente é muito cedo, até porque a distância entre Cuiabá e Poconé é de 1h30. Ou seja, 5h da manhã estaríamos exatamente no local onde se inicia a Transpantaneira. Por outro lado, pondero algumas coisas. O fato de viajar pela madrugada, inspira cuidados com animais na pista. Qualquer distração pode cometer acidentes. Ainda escuro, é necessário percorrer em uma velocidade de segurança. Não é aconselhável dirigir acima dos 100 quilômetros por hora. Como sou cuidadoso, viajamos a 80 por hora. Por três vezes lobinhos atravessaram a nossa frente. Além disso, vimos animais mortos da rodovia, como lobinho, anta e tamanduá-bandeira.

Ao chegar em Poconé, é necessário encher completamente o tanque do carro. Não há postos de combustíveis pela estrada. Como gastamos muito mais de 1h30 de viagem, conseguimos encontrar uma padaria aberta logo após o amanhecer. Ela fica no centro, pertinho de uma Igreja católica. É a Padaria QPÃO. Quando efetivamente saímos de Poconé, já estava ficando um pouco tarde, por volta de 6h e pouca da manhã. Rodamos alguns quilômetros em uma estrada cascalhada e tão logo avistamos algumas araras azuis. Mais um pouco a frente, nos deparamos com o emblemático Portal da MT 060. Quase todos os visitantes param por ali. Assim como na imagem, o portal nos dá uma sensação agradável. É como se fosse uma linha que separa a civilização urbana de uma natureza imprevisível. Chegar ao Portal nos remete à certeza de que haverá um novo cenário tomado pela vida selvagem.

Tão logo, ao iniciar os primeiros quilômetros, surge a primeira ponte de aproximadamente 120 em todo o percurso. Os quase 150 quilômetros de estrada em períodos de seca, não oferecem barreiras para a passagem de veículo. Se perceber tempo seco e Sol nos dias de passeio podem ir tranquilamente com carro de passeio. É óbvio que é necessário saber informações sobre as condições das pontes. Geralmente publicam em noticiários quando há o impedimento para o tráfego. Apesar das boas condições, é claro que, uma viagem de SUV traz muito mais conforto e segurança. Assim que passamos o Portal, pouquíssimos quilômetros a frente algumas pontes oferecem surpresas. Aliás, há de se afirmar que as pontes, sejam elas de concreto ou madeira, despertam mais curiosidade. Por muitas delas, passam as águas que servem de um arcabouço para a biodiversidade local. Mamíferos, répteis e aves disputam a lei da sobrevivência. Por outro lado, sinto informar, mas observar animais na estrada exige tempo, paciência e um senso de intuição. A maioria do trecho percorrido não oferece vistas deslumbrantes e talvez nenhuma possibilidade de avistamento.

Imagem: Pedro Henrique Corrêa